quarta-feira, 27 de abril de 2011

Deus e Homem – Reflexões sobre minha Espiritualidade

Artista Luiza Maciel Nogueira

Deus é para mim a união de todas as maravilhas da Natureza, inclusive eu mesmo. Crer em sua inexistência ou duvidar da mesma, me levaria em apenas crer nas coisas humanas e tudo que deriva humanamente. Desde quando me entendo por gente, "dito popular mineiro, um tempo em que uma pessoa começa a ter consciência de si mesmo e do mundo ao redor",  tenho cá para mim que há muitas coisas que intrinsecamente estejam ou sejam ligadas ao homem, em  demasia concentram-se incongruências de naturezas: cognitiva, moral, ética, espiritual e emotiva, das quais carecem re-leituras alinhadas a re-leituras teóricas e de condutas práticas, ou seja, que haja de fato a práxis humana tal como nos ensinou Jesus Cristo.

Crer ou ter fé em algo que seja enigmático à racionalidade humana, potencializa os sentidos e significados de minha existência, ao passo que se tomasse eu o homem enquanto um ser superior, me recolocaria na condição humana de vida e sub-viveria consubstanciado de Leis superficiais e de eu-centrismo caóticos e insensíveis.

Por conseguinte não desprezo o grau, o gênero e o número da faceta do homem de sobrevivência, entretanto isso não o faz fruto autogestativo, apenas uma espécime com habilidades especificas de linguagens e técnicas passíveis de transformações que implicam responsabilidades com as partes do todo que compõe não somente a si próprio, como todo o universo mensurado pela existência humana.

Sou fruto de uma família que se consolidou dentro de uma cultura social da qual deriva uma consciência moral da Religião Católica Apostólica Romana, sempre fui a igrejas desde criança, ainda pequenino ano pós ano assistia minha segunda mãe adotiva encenar A Paixão de Cristo, era lindo e envolvente, até iniciar a procissão, quarteirões e quarteirões fim de noite e madrugadas adentro, ilógico para mim.

Ao passar dos anos cresci e minhas idas à igreja passaram a ter sentidos e significados não pelos sermões e tampouco em função do carisma dos padres, nananinanão, havia sim uma questão de obrigação por parte dos pais, ao passo que os mesmo deixaram de ir à igreja, isso era contraditório. Talvez houvesse uma tremenda necessidade de fugir da severidade dos pais ou da estupidez televisiva, Silvio Santos Vêem Aí... Ou quem sabe uma boa oportunidade de fazer amizades e conhecer alguma garota interessante.

Ah, recordo-me e posso sentir o frescor de bons tempos idos... Embora tantas inquietações por conta da linha do equador natural às igrejas, quantos calores tostavam e suavam as camisas passadas por minhas mãos, quantas longínquas contextualizações morais e éticas para com a minha juventude da época, que não se condiziam com minhas condutas?

Pecado maior era não estudar, naquele tempo mãos de ferro deliberavam a conduta de filhos temerosos à educação moral e cívica do seio familiar, os pais ou pai ou mãe que educavam seus filhos, normalmente educavam com rigor irrevogável para uma criança e adolescente, ou seja, o respeito era dado por um preço de até arrancar o couro.

Recordo-me que só pus uma gota de álcool em minha boca aos 24 anos de idade e as festinhas sejam de aniversários ou casamentos da vizinhança eram terminadas normalmente antes das 22:00 com a micagem dos pais ou simplesmente com a mãe hiper protetora no portão para nos pegar... Que pecado rondaria jovem assim?

O viço de bons tempos idos... Presentes no instante no qual lhes escrevo tais reflexões sobre o Sagrado e o homem, a espiritualidade percebida, sentida e vivenciada por mim, nada mais era do que os encantamentos da pureza contida nos entreolhares, doce pecado consentido por Deus, pela minha consciência simplesmente só havia contemplações e gratidões tanto aos meus pais adotivos e ao universo belo que propiciava tantos encantamentos e belezas e por fim uma sutil faísca suscitada ao folhear uma das revistas pornôs de meus pais que deu ideias de como nascemos e, além disso, os desencontros morais que iam de encontro à Consciência Moral que fluía em mim que era contrária as praticadas pelos adultos.

Ao longo dos tempos Deus se “desenvolveu/manifestou”  concomitantemente com o meu crescimento humano, todavia mais e mais mistificado e intocável segundo os dogmas de uma verdade sombria, gélida e descontextualizada na práxis convivência entre homens, toda via, re-velando sua manifestações fenomenológicas as quais mantive reservadas comigo.

A passagem entre criança para adolescente traz um curta-circuito, de adolescente para jovem um duplo-curta-circuito e de jovem para adulto um triplo-curta-circuito. No entanto em se tratando de sabedoria, sensibilidade e solidariedade Deus concomitantemente se faz presente no íntimo de cada ser, mas infelizmente uns por concernir a condição humana de ditar sua ordem de sobrevivência, acaba por perder o laço vital, por conseguinte tragicamente podendo ter como conseqüências desfechos infelizes e irremediáveis como: ao diagnóstico de loucura, ao suicídio ou à criminalidade de quaisquer naturezas, pessoas e circunstancias por mais insignificantes que nos pareçam.

Deus é um esperançar prenhe de sentidos e significados percebidos, sentidos e experimentados por cada um de nós em dados momentos e estados específicos em conformidade as vibrações espirituais em que estamos: de nossas andanças e não andanças, das nossas escolhas e nossas nãos escolhas. Para tanto faz necessário que estejamos equilibrados nos aspectos físicos, emocionais, psicológicos, ou seja, que estejamos com as bases humanas em temperança, em harmonias mínimas pelo menos, o corpo, a mente, o sentimento, a saúde alinhada à alimentação, a mente alinhada aos bons ensinamentos e conhecimentos e o sentimento alinhado ao Sagrado, a si próprio, ao outro e à saúde do corpo físico e espiritual.

Deus é o entrelaçar do enigmático com o tangível a nossa perceptividade evolutiva do Espírito que nos retroalimenta segundo nossas carências e grau de consciência, Ele é a Fonte de Luz que reluz no sombrio estado humano.
Deus é ímpar entre homens, entretanto um Espírito consubstanciado de benevolências idênticas reveladas em tempos próprios a cada um segundo suas habilidades e competências humanísticas.

Deus é para mim um Criador, quanto o homem é um plagiador sem vergonha que suplanta os méritos da Natureza que nos concede mecanismos de sobrevivências, inclusive a nossa própria natureza(condição humana)pensante. Atribuo a tudo que seja benevolência a Deus e a tudo que expressa injustiça, discrepâncias moral, ética, emocional e psicológica ao homem.

Wellington Bernardino Parreiras
27/04/2011
01:54



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Paisagens de Mim

Sinto um encantamento em mim mesmo quando percebo meu deslumbramento ao sentir no pulsar alheio sentimentos realizáveis – compreendo a extensão da grandiosidade do ser humano de ser um espírito que transcende o horizonte primeiro e se coloca a desbravar no sumo constante de realizações infinitas, por mais que a mim se ancora a alma -.

Deslizo sobre a fluidez das alegrias que transbordadas pelos semblantes felizes, me fazem sentir idênticas emoções contidas no instante belo quando se é criança ao deslizar pelo escorregador de um parquinho de uma praça qualquer de uma cidadezinha qualquer...

Ressou presenças que brotam do abismo dos silêncios, paulatinamente colam-se , no fluir dos pensamentos desprendidos nos ares que transitam em fronteiras opostas, porém jamais contrárias ao pêndulo do existir florescido em mim. – lembranças esquecidas diluem-se entre o afã da sutileza do vôo das asas da borboleta salgadas pelo sal das lágrimas a beira de desejos outrora almejados e realizáveis -.

Transcorrem-se...

Palavras vãs;

Sãs!

Aos quatro ventos...

Grito;

D-eus...

Eu!

Mineirim das Gerais

20/04/2011

21:44


terça-feira, 19 de abril de 2011

MÓRBIDO CARROSSEL - Lara Amaral

ZUNÁI - Revista de poesia & debates

MÓRBIDO CARROSSEL

Lara Amaral

Já possuía mais frieza para olhar pessoas mortas. Ossos do ofício. Aquela figura pendurada no ventilador do quarto com uma corda no pescoço já não era uma cena tão sinistra como seria quando começou no emprego há 11 anos. Até coisas morbidamente hilárias passavam por sua cabeça ao imaginar a cena. Poderia ter dado errado, por exemplo, o homem, na hora de subir na mesa, poderia ter escorregado e esfolado o joelho, torcido o tornozelo, caído numa risada desesperada e até desistido do feito; ou na hora de pular da mesa, o ventilador poderia ter se desprendido do teto e o homenzinho estaria ali chorando agachado no chão pensando o tanto que era imprestável até para se suicidar. Mas não, no caso, havia dado certo, se puder se referir a tal fato dessa forma... Enquanto o corpo balançava quase imperceptivelmente, ele imaginou se o ventilador pudesse ser ligado e, ao invés de parecer uma carne dependurada num açougue, o homem ali pareceria uma das hastes daqueles carrosséis de filmes antigos, que giram como se soltos no ar... como seria estar num carrossel daqueles? Bem, com certeza não seria a mesma sensação que lhe passava aquela cena nada pictória que estava a sua frente. Ao se aproximar mais do corpo, ele percebe brilhar ali no chão, com o seu ar clichê e magistral: o bilhete. Os dizeres borrados e a caligrafia tremida não deixavam dúvidas de que aquele foi o último legado do homem do ventilador. Leu só por desencargo de consciência, saberia mais ou menos o que estaria escrito: coisas que ficaram por fazer, por decidir, por sentir... coisas árduas demais de se verbalizar, e que só surtiam efeito por estarem impressas ali... coisas primordiais que foram escolhidas por último. Mas o fim que chegava por uma escolha deveria ser amarrado de alguma forma, o fecho precisava de toda a sua dramaticidade, e o bilhete era a chave, as reticências, o ponto final. E o homem ali que o lia sem prestar muita atenção pensava mais em como seria seu próprio encerrar de palavras não ditas.

*

Larissa Amaral Teixeira, que usa o pseudônimo de Lara Amaral como assinatura poética, nasceu em Brasília em 1986. Formada em Jornalismo, escreve poesia desde os 13 anos e arrisca alguns contos de vez em quando. Publica no espaço virtual: http://laramaral-teatrodavida.blogspot.com/.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Entreolhares um flóreo tímido desce à neve


Prenhe...

Delírios acometem-te em convulsões

Os sentidos inclassificáveis estorvam o esperançar

Entreolhares um flóreo tímido desce à neve

O pulsar em ritmo tartarugues intensifica a expiação

De quanto rói a solidão

Do lado de cá

A beira mar

A razão

Mineirim das Gerais

15/04/2011

20:34