sexta-feira, 9 de março de 2012

Mulher...


Feliz no dia internacional da mulher seria eu se...

Os festejos superficiais embasadas na cultura mercadológica dos encantamentos subjetivos fossem freados pelas mulheres e pelos homens sensíveis à causa primária que aos longos dos séculos que deveríamos CELEBRAR E COMEMORAR no sentido amplo dos verbos, estes que são distintos em seus significados, embora freqüentemente empregados como sinônimos.


No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).


Sentido verdadeiro do verbo celebrar é: promover cerimônia, tornar célebre, destacar.

O sentido verdadeiro do verbo Comemorar é: fazer memória, atualizar lembranças, resgatar o passado.

Hoje tentei traçar uns versos e não consegui por não considerar nada de belo e digno para poetizar e por considerar certas conquistas contemporâneas tardias e superficiais, como, por exemplo, a Lei 11.340/06 Maria da Penha que só nasce a partir de uma violência doméstica sofrida por uma mulher de classe social alta e quantas “Marias” ou “marianzinhas” sofreram, morreram, sofrem e morrem ainda às margens do terceiro milênio?

De que vale tal Lei se não há condições dignas que causassem a promoção moral, direitos plenos à Educação, à saúde, bem como que assegurassem condições legitimas de trabalho em um País orquestrado por legisladores e políticos que ditam um Estado fora da Lei?

Com isso deixo apenas uns rabiscos realizado em um curso de Pedagogia entre jovens Pedagogas e dois Pedagogos, bem como deixo um poema escrito no início de minha formação acadêmica que pelo visto será o primeiro e último, posto que não tenho esperanças de assistir uma revolução verdadeira. Infelizmente terei que continuar presenciando mulheres contentes e pseudas valorizadas com um dia em que uma flor sintetiza uma consciência cada vez mais mitigada por pegadas superficiais do homem contemporâneo.  



Mulher...
Para além recorte cultural
O Feminino é atual
Dia internacional é apenas um marco
Não se satisfaz com o dia 8 de março

Mulher...
Solte-se do varal
O machismo é arame farpado
Que dá linearidade ao espiral
Para acondicionar seu ser alado

Mulher...
Um dia é parte em 365 dias
O Feminino é essência
Os dias singelos são parâmetros temporais
Significativos para jornais

Mulher...
Poesia
Insuficientemente exprimida
Atente-se

Mulher...
Por ser um verbo
Para além reprodução
O homem tolhe sua ação

Mulher...
Flui

Mulher...
Irrompem gradis
Colore o céu com flor de lis

Wellington Bernardino Parreiras
Mineirim das Gerais
08/03/2012
10:35

 A poesia que mencionei foi feita foi postada no dia do centenário do Dia Internacional da Mulher:

No amor da Promissão, mulher!


3 comentários:

Dol disse...

Belas elucidações! Não há como olhar para frente sem uma rápida "passada" de olhos (ainda que brevemente) sobre o que deu origem ao que agora "É"... rs. Grazie!!!

SOL disse...

Sol... rs

Wellington Bernardino Parreiras disse...

Sol, muito obrigado pela passagem e impressões.

Abraços e beijos fraternos