Meu caráter é sensível, meus objetivos subjetivamente românticos, meu esperançar o verbo do amor, ainda que na realidade dos fatos seja eu o boto em meio ao mar....
Serei eu o poeta de Beagá
Na nau dos horizontes imaginários a-mar!!!
Mineirim das Gerais
12/03/2011
19:10
Brasília - O deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), mais conhecido como o palhaço Tiririca, será indicado pelo partido para titular da Comissão de Educação e Cultura da Câmara.
Roberta Campos – Varrendo a Lua Música rima com mágica? Acho que não! Não sei direito quais são os critérios da língua portuguesa para falar o que rima e o que não rima, mal me lembro dos dodecassílabos e alexandrinos das aulas de literatura nem das análises sintáticas das de gramática, mas tenho quase certeza que, apesar de parecidas, essas duas palavras não rimam.
Mas é que, já misturando as matérias, graças aos céus música não é ciência exata. E é aí que surge uma figura pra subverter essa ordem. Uma certa ROBERTA CAMPOS, e sua incomum habilidade de insistir em fazer música rimar com mágica.
Instinto puro, ela escreve pra que sua vida fique mais leve, como se fosse aquele Michelangelo que aparava arestas dos blocos de mármore de carrara para tirar de lá os escravos que via. Um tirava cativos de dentro das pedras, outra arranca leveza do papel, palavra por palavra, nota por nota. Formão na mão de um, violão na de outra. Cada um fazendo mágica à sua maneira. Mas mágica!
A mágica da Roberta!
Mineirinha de Caetanópolis, comeu pelas beiradas fiel à sua raiz, escrevendo dia e noite, compondo compulsivamente, colocando pra fora ideias e melodias. De um mar de influências, Bon Iver, Joni Mitchel, Rufus Wainwright, Beirut, Damien Rice, Milton Nascimento, Beto Guedes, Lô Borges, Legião Urbana, Marisa Monte, Zélia Duncan, Beatles, fez surgir um estilo só seu. Mais de 200 (!!!) composições, sempre com uma coisa em comum: a simplicidade que só tem quem é paixão pura, sem enquadramentos fáceis, nem de mpbs, nem de folks, nem de clubes. Não queira restringir dentro de um título a música que essa menina tira de sua cartola (no caso dela, um fiel barrete). Chame de música só. Mas música!
Ora direis Varrer a Lua!
Destas tantas composições de ROBERTA, agora finalmente descoberta entre as esquinas e prédios da Paulista, muito se escutou, muito se trabalhou e do estúdio (Tambor, no Rio, durante o verão de 2010) saiu "Varrendo A Lua", quarenta minutos de pura sensibilidade musical, dez canções que ela mesma apresenta assim: "Cada música deste disco foi escolhida porque uma completa a outra, uma mensagem dividida em histórias, em momentos, mas um único amor". Nove composições próprias, incansavelmente garimpadas. Ao lado delas, uma pedra preciosa das minas, "Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor", de Lô Borges e Marcio Borges, que MILTON NASCIMENTO gravou no álbum Pietá, de 2003, e que facilmente poderia ser uma composição da ROBERTA, de tanto encaixe que há. De resto é tudo ela. Inspiração pura. Nas suas palavras: "Tudo me inspira, as coisas, as pessoas, os sentimentos, do mais simples ao mais complicado, do meu amor a um simples sorriso, o céu estrelado e mesmo a falta de estrelas". É, ela ouve as estrelas, ora!
O mundo inteiro, de janeiro a janeiro!
Ouvir ROBERTA CAMPOS é uma experiência multi-sensorial. Coloque pra tocar e deixe rolar. Sem a menor cerimônia, um quarteto de cordas invade sua sala; com o pé na porta, os teclados de Dadi e a guitarra havaiana de Christiaan Oyens preparam a chegada de uma voz que, timidez jogada no lixo, avisa "vou varrer a lua, varrendo sua solidão". E varre até não parar mais. "Mundo Inteiro" entra na cadência de um folk-reggae mineiro declarando um amor enorme de grande, esperando o tempo que for. "A Felicidade" escancara uma simplicidade apaixonante, verdadeira raiz da magia deste álbum. "Acabou" é um final sem fim, "Sinal de Fumaça" mostra uma produção atualizada com as idéias de Bon Iver e Florence And The Machine. Em "Aqui, Ali", a poesia ganha contornos geniais: "Vou chorar. Às vezes vou sorrir de amor. Ser assim, trazer o lado bom das cores. Vou somar os restos que você deixou. Melhorar, reparando minhas dores". E no meio das confissões de amor que ela faz em "De Janeiro A Janeiro", surge a inconfundível voz de NANDO REIS: "Olhe bem no fundo dos meus olhos e sinta a emoção que nascerá quando você me olhar. Te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar". Na simplicidade de ROBERTA, "de repente o cara que cantava Marvin estava ali na minha frente, cantando a minha música". Ao que ele responde, olhos cheios d'água, para o produtor do álbum Rafael Ramos ao ouvir a gravação que acabara de fazer no estúdio: "Chegaram as águas de março".
E ROBERTA CAMPOS é exatamente assim, paixão simples, de quem assina seu nome com as formas de um violão. De quem canta o amor varrendo a lua, andando na rua. De quem aos quatro anos de idade descobriu e decidiu que sua vida seria isso, cantar, compor, emocionar. De quem é assim como você e eu, aqui e ali, tênis all-star surrado, calça jeans de outros carnavais, aquela camiseta hering que cabe como uma luva. Nos braços, o violão. Na cabeça, as notas e as rimas.
Porque é assim, simplesmente, que ela rima música com mágica! Rima sim!
Querida irmã, somos e seremos resultado de nossos esforços, esperanças, realizações e não realizações, quando não realizamos algo que tanto sonhamos é por causa que ainda não nos maturamos nos aspectos intelectuais, emocionais ou profissionais, todos os processos se dão em sintonia entre eles e são naturais a todos nós, somente com o tempo e com o olhar da consciência que nós passamos de pessoa realizada à pessoa realizável, ou seja, compreendemos o quão é mais sublime estar com o Espírito sempre apto às realizações infindáveis de nossas existências. Desejo que seja sempre o que és, uma mulher realizável. Abraços fraternos, Mineirim das Gerais 05/12/2010
O tempo nos molda segundo a soma de nossos desejos e de nossos não acertos. Mesmo assim coabita em nós um esperançar ora adormecido, ora adolescente. Mineirim das Gerais - BH 01/12/2010
Mais do que um texto bacana, essas palavras, na sequência, chamam para a reflexão. Uma brilhante analogia entre as eleições e copa do mundo, eventos no calendário brasileiro muito evidentes e em pauta neste ano de 2010. Reparem vocês que o texto é de 2002, mas não perde em nada a sua essência, se tornando assim atemporal, e sem dúvida, ainda balizado na veracidade das questões que ele coloca e nos chama, de novo, a pensar.
A copa do nosso mundo
Na verdade, a copa do nosso mundo será disputada em outubro, ou melhor, será decidida em outubro, quando alguns milhões de eleitores vão depositar nas urnas os nomes daqueles que estão em campo há muito tempo, jogando bola de todo jeito.
Alguns com classe, com empenho, com garra; outros especializados em bola nas costas, ainda outros que são fantoches de cartolas, enfim, gente de todo tipo, querendo o voto de gente de todo tipo, o que produz resultados rigorosamente assim, de todo tipo...
A copa do nosso mundo, lamentavelmente, não produz nem de longe o interesse da copa disputada nos distantes gramados do Oriente. Mesmo considerando jogo de madrugada, durante a semana, seis horas da manhã, oito e meia, enfim, num horário que tira muito da graça da maioria dos continentes apaixonados pelo jogo da bola, mesmo assim, quem dera que as copas das eleições tivesse pelo menos dez por cento do interesse que a outra desperta.
Do mundial da bola o cidadão torcedor tem muito a dizer. Sabe os juízes que vão mal, que interferem no resultado do jogo com seus erros. Reconhece os craques, diz a escalação dos times, conta a vida dos jogadores, aprende a falar nomes complicados, enfim, rapidamente domina o quadro, o assunto e vai para as esquinas discutir quem é melhor, quais as chances do Brasil, quem pode ser o ganhador, qual será o mais sério adversário. O interesse patrocina isso. Só o interesse ganha esse desempenho, faz de cada um aquele técnico abalizado e competente.
Pois é justamente a falta de interesse que transforma o eloquente, competente e entusiasmado cidadão torcedor no apático, desinteressado e despreparado cidadão eleitor, incapaz de entender as jogadas, conhecer os maus juízes, identificar jogadores bichados, vislumbrar rapidamente os craques, aqueles capazes de marcar os gols do progresso, do desenvolvimento e da justiça social.
Em nome de um certo nojo pela política, produto de escândalos que desfilam a toda hora, o cidadão eleitor afasta-se das arquibancadas, deixa a geral, fica distante, não acompanha, não tenta entender, não quer ver o jogo. E porque não entende, na hora em que é chamado para escalar o seu time, escala mal. E porque escala mal, tem novas decepções, tem que engolir o seu grito de gol.
Um dia, quem sabe, vai ser diferente... O cidadão torcedor e o cidadão eleitor serão a mesma pessoa, nas duas copas. Ah, que um dia isso vai acontecer!
Márcio Doti Diretor de Jornalismo da Rede Itatiaia de Rádio Maio de 2002